sexta-feira, 12 de junho de 2020

A Nossa Cultura Futebolística





Nem todo o brasileiro gosta de futebol. Mas certamente todos nós sabemos sobre a importância que o esporte tem na nossa sociedade. Inicialmente jogado por trabalhadores das ferrovias inglesas ou por tripulantes de navios, ele foi oficialmente introduzido no Brasil por Charles Muller. O futebol ganhou notoriedade, tornou-se o esporte nacional e o mais popular em todo o mundo.

Como guia de turismo acredito que o Museu do Futebol em São Paulo é o melhor lugar para explorar essa bela história e entender a sua importância. É um local que desconstrói a imagem que podemos ter de um museu pela maneira como é elaborado e gerido. Montado dentro do histórico estádio do Pacaembu, ele possui exposições temporárias com temas interessantes e conectados com a atualidade. Trabalha recursos tecnológicos de multimídia, com interatividade, e acima de tudo, estimula o visitante a estar em contato com as emoções propiciadas pelo futebol. As emoções dos jogadores e de outros profissionais que trabalham com o esporte, mas também as dos torcedores e dos praticantes do futebol, aguçando suas memórias afetivas.

 
Minhas memórias afetivas

Em uma das fotos mais antigas que tenho estou no jardim da praia de Santos, ainda criança, com uma   Logo comecei a brincar nas areias da praia onde cresci jogando futebol. No ambiente praiano as condições climáticas ditam a condição do futebol. Maré, umidade da areia, velocidade do vento e a intensidade do sol fazem cada brincadeira ser única.
bola azul que tinha a imagem de um patinho. Tive aquela bola por muitos anos.

Ainda quando pequeno, na ausência da “redonda”, a bola, a criatividade era a maior aliada para aqueles que queriam “jogar futebol”. Tampinhas de garrafa, latinhas, meias, papel, durex, eram exemplos de matéria prima para a confecção da “bola”. E o jogo tomava novas formas como a “malha”, o “três dentro e três fora”, o “lelezinho” e a “rebatida”. Em Santos, durante a adolescência, criamos o “tablado” similar ao futevôlei, mas em campo reduzido, com uma rede mais baixa e com a possibilidade de a bola tocar no chão. Meus amigos se orgulham por termos criado essa brincadeira difundida a partir da praia do Embaré, onde está o CPE (Centro de Paquera do Embaré), muito frequentado por nós.

Já fui torcedor do Santos e carrego um enorme carinho pelo time. Mas apesar de ter competido jogando futebol de salão pelo clube e de ter conhecido o Pelé, antes de um jogo em plena Vila Belmiro, acabei “virando casaca”, encantado com o futebol que o São Paulo F. C. mostrava no início da década de 90, quando o técnico Telê Santana comandava um time sensacional.
Meu tio Careca, nascido em Santos, foi jogador do extinto Colorado de Curitiba e do Palmeiras, na época do grande Ademir Da Guia. E meu pai foi jornalista, acompanhando o Santos F. C. em jogos amistosos nos Estados Unidos e no Canadá.


Essa paixão e conhecimento sobre o futebol me aproximou do esporte profissionalmente. Não como
jogador, e olha que muitos diziam que eu teria futuro, mas de outras maneiras.


Trabalhando com o futebol

Dois anos antes da Copa do Mundo de 2014 já buscava essa oportunidade e ingressei em uma empresa credenciada como vendedora exclusiva pela FIFA dos ingressos de camarotes. Eu visitava representantes de grandes empresas difundindo a ideia de que ao adquirir o acesso ao grande evento mundial do ano a empresa estaria adquirindo, também, uma grande oportunidade de promover o marketing de relacionamento, tanto com os seus clientes, como com os fornecedores e com os seus colaboradores. Essa foi uma das minhas experiências relacionadas ao turismo e vestido de terno e gravata. Tipo, um “executivo do futebol”.


Mas melhor ainda foi me afastar da empresa e ver que poderia voltar a atuar como guia de turismo e vivenciar o evento de outra maneira. A grande dificuldade estaria em atuar como guia em São Paulo, pois não tinha experiência na capital. As oportunidades apareceram e foram diversas, desde apenas levar turistas até os jogos no “Itaquerão”, como fazer city tours em São Paulo e levar um grupo de holandeses para o Rio de Janeiro, onde ficamos acampados na região do Recreio para que pudessem assistir a um jogo no dia seguinte no Maracanã.

Terminada a Copa do Mundo tive a oportunidade de levar turistas ao já citado Museu do Futebol e ao maior estádio privado do Brasil, o Morumbi, o estádio do amado Tricolor.

E nas minhas andanças pelo mundo, as vezes a trabalho, outras a lazer, pude conhecer outros estádios em visitas monitoradas como o Camp Nou, em Barcelona, o Karaiskákis, em Pireus (Grécia), o Green Point, na Cidade do Cabo (África do Sul) e o Centenário, em Montevidéo. E fui a jogos nos estádios, Garcilaso, em Cusco, no Atanasio Girardot, em Medelin, no Alejandro Serrano Aguilar, em Cuenca e no famoso La Bombonera, em Buenos Aires, cujo museu também é ótimo.


Devido a minha relação com Santos e a maravilhosa história do clube que é conhecido mundialmente pelas conquistas da Era Pelé, busquei uma aproximação e viabilizei entre outras experiências, através da minha agência de viagens, a ida de torcedores a partir de São Paulo para assistir aos jogos do Peixe pela Copa Libertadores da América. “Descíamos a serra”, promovendo conversas, brincadeiras e sorteios durante o trajeto. Voltei a torcer pelo Santos naqueles momentos!

Aproveitando essa identificação com o futebol criei o programa Futebol Total, em São Paulo, o Santos do Futebol e o Rota Pelé, o Rei do Futebol.

E contratado como guia de turismo levei pessoas para jogos de futebol. Já fui ver o Palmeiras, o Corinthians, já fui com estudantes americanos no grande clássico Fla x Flu, em um belo domingo no Maracanã e em uma final de Campeonato Paulista do próprio Santos.

Independentemente do time que torcemos, como guias de turismo, temos que ser como os jogadores de futebol: vestir a camisa com determinação e “entrar em campo” para proporcionar um bom espetáculo.

Enfim, acho importante que o guia de turismo se identifique e conheça bem o conteúdo daquilo que transmite aos seus clientes. Mesmo quando um turista estrangeiro não acompanha o futebol, eu o convido para conhecer um pouco mais sobre o esporte que é tão presente na nossa cultura.

Afinal, é fascinante a história que mostra o futebol como um esporte inicialmente praticado pela elite branca e que passou a ser um esporte das massas, onde um negro chamado Pelé se tornou a maior expressão deste encanto.


domingo, 24 de maio de 2020

Vamos tomar um café?





Vamos tomar um café?

Quando eu era pequeno, em Santos, lembro-me que meu pai não gostava que eu tomasse café. Ele era jornalista e na redação dos jornais tomava muitos cafezinhos. Certo dia ele teve que parar por recomendação médica. O médico deve ter sido tão enfático que ele não queria ver o filho “viciado” pela bebida. Por outro lado, minha mãe sempre tomou café.

Em pesquisas sobre as influências de comidas e bebidas no nosso organismo o café, ora aparece como benéfico por ser um antioxidante, por exemplo, ora como prejudicial a nossa saúde, podendo causar entre outros problemas a gastrite.

Com o passar do tempo entendemos que o importante é a moderação.  E que o café extrapola a questão alimentar.

Vamos “tomar um café”?
Quero dizer: Vamos conversar?



Já adulto, antes de me formar como guia de turismo, acabei desconsiderando de certa maneira a advertência do meu pai. Tomava café. Mas na maioria das vezes com leite e com açúcar.

Passei a trabalhar com turismo receptivo em Santos e ao atuar como guia de turismo levando turistas ao Museu do Café, o atrativo turístico mais visitado por adultos estrangeiros na cidade. E assim, comecei a entender cada vez mais sobre a importância do “ouro verde”, tanto para o desenvolvimento local, como para a história do Brasil.

Aos poucos fui conhecendo histórias e lendas interessantes como a do jovem pastor etíope Kaldi, que descobriu o café graças as suas cabras. Descobri o caminho da planta, desde a África até chegar ao Brasil, trazida da Guiana Francesa, de forma contrabandeada. A sua relação com a escravidão e com o crescimento econômico de São Paulo.

Também aos poucos fui apreciando cada vez mais a bebida sem leite e exclui o açúcar, para poder sentir melhor as suas características. Entendi que um bom café não é amargo. Provei até o mais caro e famoso café brasileiro, o Jacu, inspirado no Kopi Luwak indonésio, por sua vez o mais caro do mundo, por sua característica bem peculiar de produção.


Muitos turistas apreciam fazer uma pausa para o café. Em São Paulo, entre uma caminhada e outra no centro histórico, parar na Casa Mathilde, na cafeteria do prédio do Banco do Brasil ou na do Pateo do Collegio, por exemplo, é uma maneira de descansar o corpo e apreciar a boa bebida. Recarregados de energia continuamos a conhecer a cidade.

Em Santos, inspirado na Rota do Café, estudo realizado pela Secretaria de Turismo, resolvi me especializar no assunto para realizar roteiros temáticos sobre o café. Assim, criei o Rastros e Aromas do Café em Santos. Em um dos roteiros visitamos o Rei do Café, tradicional torrefadora de café, onde em um ambiente rústico e com um atendimento muito especial, os turistas veem e entendem como se dá o processo de torra, tocam no grão, sentem o seu odor e no final provam um café de alta qualidade. O público adora a experiência!

O café é a bebida predileta do brasileiro. Temos grandes profissionais atuando neste mercado. Mas o brasileiro em geral ainda precisa aprender a apreciar e valorizar um bom café.



E o Turismo pode ser um caminho.

Feliz Dia Nacional do Café!

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Reflexões sobre o mercado de turismo receptivo na cidade de São Paulo.




Como turismólogo de formação tenho refletido sobre esse momento histórico de pandemia, onde a atividade turística está estagnada. E o objetivo desta publicação é fazer uma breve reflexão sobre as possíveis mudanças que ocorrerão no mercado de turismo receptivo em São Paulo e os caminhos que o mercado pode seguir para buscar uma recuperação.


Uma conclusão óbvia é que o fluxo doméstico retornará primeiramente, já que o fluxo internacional dependerá das aberturas das fronteiras internacionais, das condições sanitárias do nosso país, do nosso Estado e da nossa cidade; e a consequente motivação que os estrangeiros terão para visitar o Brasil.

Neste contexto a preocupação com saúde pessoal certamente será a prioridade do viajante. E consequentemente os serviços privativos tendem a ser mais procurados, pois não geram aglomerações como o turismo realizado em grupo. É importante lembrar que os gestores do município também poderão impor controles e regras para receber turistas, tanto de turistas que viajam por conta própria, ou que contratam serviços privativos ou compartilhados, junto a agências de viagens.

Esse controle sanitário pode incentivar a exigência da contratação de agências legalizadas e não os “piratas do turismo”, que executam serviços de forma ilegal, insegura e de baixa qualidade. Assim, a crise pode ser uma oportunidade para sanarmos este grande problema que é a ilegalidade, e que de certa forma dificulta o crescimento e o desenvolvimento das empresas de turismo que pagam impostos e que buscam pelo menos o mínimo de qualidade de serviços, colocando a disposição, por exemplo, transportes de qualidade, e guias de turismo credenciados.
 
Uma interessante novidade é a criação do programa Turista Protegido, pelo Ministério do Turismo. O mesmo divulga que o “selo vai reconhecer estabelecimentos do setor que seguem boas práticas de biossegurança contra o novo Coronavírus. O programa busca chancelar as atividades turísticas que assegurarem o cumprimento de, por exemplo, requisitos de higiene e limpeza para prevenção da Covid-19.” (Site Ministério do Turismo)

Assim, o registro junto ao Cadastur pode ser mais valorizado por todos, o que será um avanço, se o Ministério do Turismo tiver uma considerável melhoria na fiscalização, quase nula até então.

O fluxo doméstico pode sofrer algumas outras alterações. Os turistas com maior poder aquisitivo ao estarem impossibilitados de viajar ao exterior farão suas viagens internamente e os destinos que estiverem melhor posicionados poderão se beneficiar disso. Um bom posicionamento turístico pode ser traduzido em boa infraestrutura turística, e de apoio ao turismo, da oferta de produtos turísticos e da qualidade dos serviços, onde a capacitação profissional é essencial.

O tempo de estada do turista doméstico que virá para São Paulo tende a aumentar, tendo em vista que receberemos pessoas provenientes de origens mais distantes.


E o que São Paulo tem a oferecer?

São Paulo apresentava números crescentes no fluxo de turistas, antes da pandemia. E uma fonte importante de informações está em: http://www.observatoriodoturismo.com.br/

A cidade vem sendo descoberta como um destino muito interessante para os próprios brasileiros. As pessoas estão cada vez mais interessadas na parte cultural que a cidade oferece, através dos seus museus, dos seus eventos, da gastronomia, e da sua vida noturna. É claro que a área cultural também sofre as consequências da pandemia.

No entanto, São Paulo, forte em turismo de negócios que também sofrerá bastante com a crise, tem muitas outras vertentes do Turismo ainda pouco aproveitadas. Entre elas o turismo ecológico e o turismo de base comunitária, onde a comunidade controla a sua execução. Mas, mais uma vez o turismo deve ser realizado de forma cuidadosa para não trazer problemas para os residentes destes locais.

Dentre vários roteiros temáticos que podem ser ainda mais incrementados e comercializados, temos passeios com guias de turismo especializados em arquitetura, arte grafite, religião, visita a comunidades urbanas ou rurais, imigração, em comunidades com perfis étnicos (indígena, quilombola) e até mesmo visita a túmulos. A imaginação não tem limites!


 São Paulo também pode ser ponto de partida para inúmeros destinos interessantes como a histórica Baixada Santista e todo o belo litoral paulista, como outras do interior como como Campos do Jordão (a cidade mais alta do país) e diversos outros destinos que tendem a ser mais visitadas se organizarem produtos turísticos de forma regional, como circuitos turísticos que envolvem a visitação em mais de uma cidade. A lista de locais que poderiam ser visitadas em uma “bate e volta” seria gigante.


Enfim, acredito que apesar das incertezas e dificuldades daquilo que estamos chamando de “o novo normal”, com menor fluxo de turistas a curto e médio prazo e com os novos hábitos que estão sendo adotados, cabe ao mercado de turismo se adaptar, mas acima de tudo aproveitar a oportunidade para ajudar a criar esse novo cenário.

Profissionalismo, legalidade e segurança devem ser as palavras de ordem para que a atividade não somente retome sua sustentabilidade econômica, mas que também resulte em maior desenvolvimento social e ambiental.

Tenho certeza que as pessoas estão loucas para viajar e acredito que valorizarão mais o turismo.

Este é o momento de trabalharmos em parceria para potencializarmos os benefícios de um Turismo inteligente.

domingo, 10 de maio de 2020

Dia Nacional do Guia de Turismo 2020




Dia Nacional do Guia de Turismo
O melhor presente é a sua valorização.



Muitas vezes, no imaginário das pessoas um turista estrangeiro seria representado por uma pessoa de camisa florida e com chapéu. É quase uma caricatura. Assim como a representação do ato de viajar pode ser representado com um avião contornado o globo terrestre.

E o guia de turismo? Talvez você o imaginaria dentro de um ônibus, falando no microfone, apontando os locais turísticos e transmitindo informações. Enquanto os turistas estariam olhando pela janela. Ele diria:

- A sua direita o Museu do Café, prédio inaugurado em 1922 na comemoração dos cem anos da Independência do Brasil. Tem estilo eclético e foi planejado para ser imponente e   transmitir a força do mercado cafeeiro e atrair investimentos para o estado de São Paulo.
Mas será que essa imagem é limitada? Não o restringe a um profissional que decora uma fala e simplesmente a transmite ao público? Neste caso, uma gravação poderia substituir o seu trabalho, certo?

Eu diria que o guia de turismo tem um serviço muito mais complexo. Primeiramente, ele estuda um curso específico para tirar um certificado emitido pelo Ministério do Turismo. O guia de turismo deve sempre portar essa credencial exposta no peito.

Complementa regularmente seus estudos por conta própria e precisa estar sempre atualizado com relação ao que está acontecendo no local a ser visitado. A sua própria cidade, quando falamos em turismo receptivo ou atento às informações necessárias quando leva turistas para diversos outros destinos turísticos dentro do estado, a nível nacional ou internacional, quando falamos de turismo emissivo.

Um guia torna-se mais completo e com maiores oportunidades quando fala um segundo idioma. E mais ainda quando fala alguns deles. Imagine então quando a língua é difícil como o chinês, o japonês ou o árabe. Aí sim, o guia é supervalorizado.

Hoje em dia há guias de turismo que desenvolvem serviços sem a utilização de um veículo. Os walking tours (passeios a pé), por exemplo. Outras vezes atuam em vans, micro ônibus ou ônibus. Há aqueles que realizam um serviço bem exclusivo no qual dirigem o próprio carro. É o chamado driver-guide. Aliás, uma tendência que se opõe ao turismo de massa.

É importante que o profissional seja um pouco generalista. Ou seja, que ele saiba um pouquinho de vários aspectos sobre a localidade visitada. Afinal, nunca se sabe que tipo de pergunta um turista pode fazer. Mas também um pouco sobre a região o Brasil, seus aspectos políticos, históricos, geográficos, culturais e econômicos. Saber um pouco sobre os locais de origem dos próprios turistas pode ser uma carta na manga e criar um vínculo afetivo.

No entanto, muitos se especializam de acordo com o perfil do turista ou do “produto” que foi vendido. O turista pode estar a lazer ou a negócios. Pode ser caracterizado pela sua faixa etária (crianças ou idosos, por exemplo), pelo seu perfil econômico (turismo social, turismo de luxo) ou por diversas outras características e preferências. Já o produto turístico pode ser temático. Ecoturismo, turismo religioso, rural, compras, histórico-cultural são alguns exemplos.

Em lugares como Rio de Janeiro e São Paulo é comum encontrarmos guias que desenvolvem roteiros relacionados a arquitetura, arte grafite, cicloturismo, gastronomia.

Um mundo de possibilidades!

Ao mesmo tempo, o guia deve zelar pela segurança dos seus clientes. Deve ter noções de primeiros socorros, deve saber como melhor proceder em emergências médicas e deve saber onde levar o turista para minimizar todos os riscos que podem ser encontrados em uma cidade, ou até mesmo em uma área natural. Atravessar uma rua com um grupo deve ser feito de maneira correta para evitar acidentes.

Um pouco de percepção e psicologia também podem ser importantes. Deve-se interpretar o gosto e o comportamento das pessoas. Isso pode minimizar conflitos e garantir a satisfação de maior parte dos participantes. Afinal, é muito difícil agradar a todos.

Calma! Não é só isso. O guia deve ser educado, atencioso, ter boa dicção e porque não ser engraçado? Alguns guias podem pecar por falar demais ou transmitir um conteúdo informativo que não é interessante ao seu público. E quem não quer se divertir? Dar risadas?

Geralmente contratado por uma agência de turismo ele é a “imagem” da empresa e por isso deve saber representá-la.

Um bom guia de turismo estará atento para propiciar ao turista explorar os seus sentidos. Ele poderá te levar a lugares surpreendentes, te mostrar o peculiar gosto de uma comida típica, te atentar para que ouça o canto de um diferente pássaro, te indicar um lugar para dar um refrescante mergulho ou uma boa opção noturna.

Ele certamente te indicará um local para que compre uma lembrança e assim poder incentivar o artesão local e estimular a cadeia produtiva.

Formador de opinião, anfitrião do turismo e protetor do meio ambiente.

Hoje é dia nacional dos guias de turismo.

E o melhor presente é a sua valorização.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Uma reflexão sobre o meu trabalho como Guia de Turismo receptivo.





Criei este blog com o objetivo inicial de divulgar meus relatos de viagens como profissional de turismo.

Ampliei a abordagem relatando viagens a lazer como  a Cuba, Colômbia e África do Sul.

E então decidi aproveitar o espaço para fazer reflexões sobre o Turismo como um todo.

Nesta postagem faço uma reflexão sobre a minha atuação mais recente, desde 2014, atuando com o turismo receptivo, que é uma área tão importante para o nosso país, mas que é tão desconhecida e ainda tão pouco valorizada.


Uma reflexão sobre o meu trabalho como Guia de Turismo receptivo.


Sou Bacharel em Turismo e atuo como guia de turismo receptivo na capital, São Paulo, e em outros destinos como Santos, Guarujá, Embu das Artes e Campos do Jordão.

Iniciei meus serviços como guia de turismo em Santos em 2005, dois anos depois de voltar da Austrália onde fiquei por aproximadamente por um ano para aprender Inglês. Neste intervalo fui promotor de vendas de passeios em Santos no Terminal Turístico de Passageiros, o Concais. Abordava estrangeiros mostrando mapas para entenderem a localização dos atrativos da cidade e vendia city tours. 

Durante este período fiz um curso técnico para obter a credencial de guia de turismo pela Embratur (hoje Ministério do Turismo).

Passei a atuar em  outras áreas do turismo como hotelaria, seguros de viagem, cruzeiros marítimos (quatro contratos), intercâmbios e eventos.

Em 2014, quase dez anos depois, aproveitei a grande oportunidade de atuar em São Paulo como guia de turismo para a Copa do Mundo de Futebol. A experiência foi excelente e me motivou para me desenvolver nessa função, permanecer como autônomo e abrir a Parceiros do Turismo, uma agência focada em turismo receptivo. 

Estamos em 2020 e mesmo passando por esse momento histórico de pandemia, onde a atividade turística está estagnada, tenho a certeza que o nosso trabalho não vai se encerrar. Algumas mudanças ocorrerão, mas acredito que o turismo será ainda mais valorizado. Acredito que turismo de massa tende a esfriar, enquanto o turismo mais personalizado tende a crescer.  

Dispostos a pagar o valor deste tipo de serviço meus clientes são em grande maioria estrangeiros, pois atendo nos idiomas inglês e espanhol. Com eles realizo principalmente city tours, contratado por diversas agências de viagens. Mas também atendo pela minha própria agência, mencionada anteriormente.

Em um city tour convencional geralmente contratado por turistas que estarão no destino turístico pela primeira vez há alguns atrativos turísticos que praticamente são impossíveis de serem excluídos. Imagine fazer um tour por Paris e não ver a Torre Eiffel? Ir ao Rio de Janeiro e não ver a estátua do Cristo Redentor? Em Santos Monte Serrat e Museu do Café são locais imperdíveis.

Em São Paulo nunca deixo de pelo menos passar pelo centro histórico, marco de fundação da cidade, mesmo com os problemas sociais que saltam aos olhos. É impactante ver tantas pessoas morando na rua. Alguns guias tentam esconder essas mazelas sociais. Mas eu acho importante que o turismo seja realizado sem filtros. Que seja uma ferramenta que pode transmitir a realidade do local. E com ela fazer com que turistas reflitam sobre a nossa sociedade. 

Também em São Paulo descobri um tipo de serviço interessante chamado driver-guide ou motor-guide (o guia de turismo que dirige o próprio carro). Inicialmente trabalhei com um carro sedan, mas parti para uma minivan para ter maior capacidade de atendimento. Nesses passeios privativos, gosto de definir o roteiro e os locais de visitação junto com os clientes e de acordo com as suas preferências. A primeira coisa que faço ao me apresentar é saber se é a primeira vez na cidade. E quando a resposta é positiva pergunto se já fizeram alguma pesquisa e se querem conhecer algum lugar em específico.

Mas na maioria da vezes é a primeira vez, E eles dizem: 

- Você é quem manda. Nós confiamos em você! 

Mas ainda assim acho importante interpretar as expectativas, os desejos, ou até mesmo as limitações ou restrições dos turistas, antes do início do serviço. Assim, a satisfação pode ser alcançada com mais êxito.

Uns estão focados em tirar belas fotos, outros na interação com as pessoas. Alguns têm limites físicos, outros adoram caminhar.  Há aqueles que querem conhecer mais a fundo na história, outros preferem ouvir curiosidades ou até mesmo lendas urbanas. Há aqueles que querem provar a comida local, enquanto que outros buscam restaurantes onde possam encontrar a sua própria tradição culinária.

Quando possível, acho importante que o guia não se prenda a um roteiro. Ao deixar com o que o passeio flua, o inesperado pode acontecer com maior facilidade. E muitas vezes isso é o mais interessante. A experiência mais autêntica.

À medida que fui entendendo o mercado de turismo receptivo em São Paulo e conhecendo outros profissionais achei importante seguir uma tendência: a especialização de acordo com os diferentes públicos ou temas. Arquitetura, grafite, túmulos, arte, favelas, comunidades indígenas, imigrantes. São Paulo tem tantos assuntos e temas a serem abordados.

Por isso, decidi aproveitar meus gostos pessoais. Criei programas turísticos relacionados ao futebol, a degustação de cervejas artesanais e a história do café no Brasil. 

Apesar de atuar predominantemente em São Paulo entendo que Santos é um destino pouco desenvolvido profissionalmente, mas com um potencial gigantesco. 

Voltando a minha atuação como guia tento me colocar no lugar do turista. Quando estou em viagem busco em primeiro lugar a diversão. Também quero sentir-me a vontade, seguro e utilizando bem o meu tempo. E não tenho dúvidas que ao contratar um guia de turismo que transmita informações interessantes, que me enriqueçam culturalmente, a minha experiência turística será potencializada.

Então, como guia de turismo tento ser este elo potencializador da boa experiência turística.

Aprendo muito com os turistas pois transmito informações sem deixar de perguntar sobre suas vidas e pedir que emitam opiniões sobre vários assuntos.

Tenho fé de que o turismo nunca deixará de existir pois renova o ser humano ao colocá-lo em contato com outras culturas. Com outras formas de ver e viver a vida. Isso nos faz entender a importância do respeito as pessoas e as diversidades culturais.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Não há vacina para o Turismo!


Não há vacina para o Turismo!



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O Turismo é uma atividade relativamente nova se compararmos com outras na história da humanidade.

Por mais que os gestores do Turismo avaliem os riscos para o bom desenvolvimento dela existem ameaças que fogem da capacidade de previsão.

Ocorreu em 2001 com o atentado terrorista a Nova Iorque e, agora, com o avanço da COVID-19.

Sentimos as consequências do primeiro incidente até hoje, tanto na vida cotidiana das pessoas, como na atividade turística. Como exemplo, vivenciamos o enrijecimento das leis de segurança pelas mudanças das rotinas em aeroportos e portos.

A rápida disseminação dessa nova pandemia é o fator mais alarmante e o que inspira maiores cuidados.

Como profissional autônomo e microempresário na área de turismo receptivo desde 1998 nunca tinha vivido algo semelhante. Se em 2001 o Turismo internacional sofreu grandes baixas, mas sendo possível atuar no mercado nacional, em 2020 ele parou em todos os âmbitos.

Os impactos econômicos e sociais são preocupantes! No entanto, acredito que a maior prioridade é a de preservarmos vidas, e seguirmos as orientações da Organização Mundial da Saúde, a maior referência para o assunto.

O momento é de precaução, por tratar da saúde das pessoas (viajantes, profissionais de turismo e os habitantes da localidade turística) e de cautela quanto a realização de estimativas sobre quais serão os reais impactos para a nossa sociedade. Há de se ter em conta que se não mudássemos nossas atitudes tudo indica que as consequências seriam ainda piores.

O Turismo é uma atividade que só ocorre com o deslocamento de pessoas e é evidente que a retomada de suas atividades contribuiria para a disseminação da doença.

A volta do Turismo dependerá de um ambiente de confiança, para seja plena e sustentável, socialmente e economicamente. O pensamento a longo prazo é o melhor horizonte.

Já, a curto prazo, para minimizar os impactos, é de fundamental importância o trabalho que as instituições relacionadas ao turismo (conventions bureaus, sindicatos de guias de turismo, associações de agências de viagens e turismo, por exemplo) vêm fazendo ao reivindicarem junto ao governo federal os auxílios financeiros necessários aos trabalhadores e aos empresários do nosso setor.

Entendo que os destinos que adotarem as melhores medidas para conter a disseminação da doença e zelarem pela saúde da sua população serão aqueles que, primeiro estarão preparados para o retorno da normalidade e consequentemente, atrairão os turistas.

E essas localidades terão a retomada de maneira mais forte se aproveitarem este tempo de reclusão para estabelecerem novos rumos estratégicos em promoção e parcerias, por exemplo.

Todos esperamos que essa normalidade seja reestabelecida o mais rápido possível, para voltarmos a receber, turistas nacionais e internacionais, felizes por praticarem essa engrandecedora atividade que é viajar.

Precisamos escolher os melhores remédios, já que não há vacinas que evitem os incidentes que impactam o Turismo.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Agroturismo focado em negócios, com Dinamarqueses.



Agroturismo focado em negócios, com Dinamarqueses.



Como havia escrito na página da minha agência de turismo, a Parceiros do Turismo, no Facebook https://www.facebook.com/parceirosdoturismo/ trabalhar como guia de turismo, além de ser gratificante gera desafios e oportunidades bem diferentes como, por exemplo, acompanhar um roteiro religioso na Europa ou realizar uma visita em uma favela no Rio de Janeiro.

Neste início de ano pude ter mais uma dessas memoráveis experiências. Fui convidado por um colega, também guia de turismo, para acompanhar um grupo de quinze dinamarqueses em um roteiro com foco em agronegócios, a partir de São Paulo até Foz do Iguaçu.

Já havia recebido grupos que vieram ao Brasil com objetivos similares, mas me restringia a atende-los em São Paulo onde iniciavam a sua viagem.

Assim, diante da oportunidade de acompanhar o grupo fiz alguns ajustes na minha agenda e topei o desafio, entendendo que me foi confiada uma importante missão.

Roteiro:
Dia 1 – São Paulo
Dia 2 – São Paulo e Santos
Dia 3 – Santos, Avaré e Ourinhos.
Dia 4 – Ourinhos, Cornélio Procópio e Londrina.
Dia 5 – Londrina, Cambé, Santa Mariana e Ponta Grossa.
Dia 6 – Ponta Grossa, Carambeí e Cascavel.
Dia 7 – Cascavel, Santa Tereza do Oeste e Foz do Iguaçu.
Dia 8 – Foz do Iguaçu.

Ao escrever este relato busquei entender qual seria a melhor definição para este tipo de turismo. E entendo que “turismo rural” ou “agroturismo” não poderiam ser aplicados pois esses termos são utilizados para denominar um turismo onde os viajantes que vivem em cidades buscam conhecer e vivenciar o modo de vida das famílias de agricultores.

Certamente este não era o caso. Os dinamarqueses eram fazendeiros interessados em fazer visitas técnicas em propriedades rurais com produção agrícola e pecuária para entenderem quais eram as práticas utilizadas no nosso país e buscando novos conhecimentos para otimização dos seus negócios na Dinamarca. 

 
O Desafio
Entendi que aquele seria um desafio por não conhecer a grande maioria dos locais onde passaríamos, por não ter tanta experiência em viajar com grupos, mas principalmente por saber que em algum momento teria que traduzir ao Inglês informações e termos específicos da área agronômica que não eram do meu domínio. E realmente durante o percurso me deparei com essa dificuldade. Mas com jogo de cintura e com a compreensão dos clientes essa dificuldade foi superada.

Passei a fazer anotações para memorizar alguns termos muito utilizados no agronegócio como:
Livestock – pecuária
Yield – rendimento
Silage – silagem (alimentos)
Milking – ordenha
Crop – cultivo
Poultry – ave doméstica
No tillage – plantio direto

O Nosso Agronegócio
Foi interessante conhecer alguns números e características da nossa produção. O Brasil é o maior produtor mundial de café, soja, açúcar e suco de laranja. Está entre os maiores na produção de milho, algodão e carnes. A produção agropecuária é superior a 20% do PIB brasileiro, tem impacto positivo na balança comercial e grande importância para a suprir a demanda mundial de alimentos. Ou seja, é imprescindível para alavancar a economia do país, que não anda bem das pernas.

A grande novidade para mim foi conhecer o “sistema de plantio direto”. Essa técnica foi desenvolvida a partir de uma nova prática, o de “semeadura direta”, oriunda dos Estados Unidos e Inglaterra, onde substitui-se as arações, escarificações e gradagens pela introdução de sementes ou partes de plantas específicas. A técnica foi aprimorada com a melhor preparação da área de cultivo “de maneira que seja possível manutenção permanente da cobertura do solo e diversificação de espécies, via rotação e/ou consorciação de culturas.”

Resumindo, essa técnica resultou na “minimização ou supressão do intervalo de tempo entre colheita e semeadura, prática relevante para elevar o número de safras por ano agrícola e construir e/ou manter solo fértil.” Essa atual abordagem, foi responsável pela viabilização das chamadas "safrinhas" e, em decorrência, pelo relevante incremento de produção de grãos do país, sem o equivalente aumento de área cultivada.
Fonte: AGEITEC (Agência Embrapa de Informação Tecnológica).

Interessante também ver, em uma das visitas, como os estudos para o “melhoramento genético” vegetal e animal estão crescendo no Brasil através da seleção artificial, conduzidas por seres humanos, visando principalmente maior produtividade.


E introdução de alimentos transgênicos (com modificações nos DNAs) como a soja que entrou no Brasil vinda da Argentina, pelo Rio Grande do Sul, antes da sua “liberação” pelo governo de Lula, também é um assunto que tive conhecimento e que merece atenção.
Tudo indica que estas práticas podem ter efeitos colaterais negativos a longo prazo.

Por coincidência eu estava terminando um livro sobre a vida da Marina da Silva, ex Ministra do Ambiente, que já defendia a necessidade de um amplo debate em torno dessas práticas. Europa e Japão ainda impõem restrições a produção de alimentos transgênicos.
Outra observação é que ao conversar com alguns agricultores, a maior parte se declara favorável ao governo atual, de Jair Bolsonaro que parece adotar políticas que parecem favorecer o crescimento do agronegócio.

Na minha opinião o crescimento deve vir com precaução. O aumento da produtividade de maneira equilibrada e inteligente propiciaria a contenção da recente aceleração do desmatamento das florestas, que ao serem conservadas, podem ser ainda mais rentáveis do que o agronegócio.

Os Dinamarqueses.
Atuando como guia de turismo avalio que foi muito gratificante estar com esse grupo de fazendeiros. 

Eles não reclamaram de nenhum serviço ruim e após termos diversos horários a serem cumpridos foi surpreendente não termos nenhum atraso nos horários estabelecidos.

Alguns não falavam inglês, e também por isso, após cada visita Torben, dentro do ônibus, o líder do grupo, lia as anotações que tinha feito resumindo as informações coletadas e as suas análises. Logo, passava o microfone para que cada um fizesse seus comentários. Escutei muito eles conversando em dinamarquês.

Eles faziam comparações entre os dois países analisando o valor da terra, as características climáticas, os ambientes de negócio e as especificidades da produção, por exemplo.

Entre eles estavam produtores de suínos, de gados de corte e leiteiros e produtores agrícolas como a beterraba (de onde é extraído o açúcar).

No final de cada visita davam aos anfitriões um porta velas, tradicional da região onde moravam.

E no final de toda a viagem fizeram questão de realizar uma mini cerimônia de agradecimento a mim com elogios ao meu desempenho ao antecipar com horas as questões para viabilizar em 100% os detalhes operacionais e ao buscar soluções rápidas e inteligentes para algo que precisaria ser solucionado ou decidido. Deram uma boa “caixinha”.

Finalizando
A agenda foi bem repleta de atividades. Dormimos em sete hotéis. E tivemos oito visitas técnicas / reuniões.

Em Foz do Iguaçu já tivemos uma programação voltada ao lazer. Foi marcante o sobrevoo de helicóptero na Cataratas e a visita, no último dia,  a hidroelétrica de Itaipu.

Entendo que este tipo de turismo focado em agronegócios ainda crescerá muito no Brasil em virtude no nosso posicionamento como um dos líderes mundiais. Por isso, fiquei grato pela oportunidade de aprender um pouco sobre este vasto campo do conhecimento e desejo agregar cada vez mais conhecimento para poder prover um serviço cada vez melhor.

E agradeço ao Zeca Nunes pelo convite e pela confiança!

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Equador: entre os Andes e a Amazônia





Equador: entre os Andes e a Amazônia


Ciudad Metad del Mundo

Vista do Hostel Casa Bambu

Escolhemos o Equador como destino da nossa viagem em setembro de 2019.  O país é relativamente pequeno, mas muito diverso em sua geografia. Ficamos curiosos sobre a “Avenida dos Vulcões”, um dos maiores atrativos do país, juntamente com as ilhas Galápagos. O Equador também é conhecido como país que cuida muito bem do seu Patrimônio Histórico.
Já que viajamos na baixa temporada optamos por contratar previamente, além dos voos de ida e volta, apenas a primeira noite de hospedagem, em Quito. Assim, ficamos livres para determinar nosso roteiro ao longo da viagem.
Cerveja com cacau
Ficamos dois dias na capital, em altitude aproximada de 2850 metros.  No primeiro dia conhecemos a “metade do mundo”, onde passa a linha do Equador. No segundo fizemos uma caminhada do ponto alto do teleférico até um vulcão inativo chamado Rucu Pechincha. Uma caminhada em pouco mais de 4 mil metros, um belíssimo percurso em um dia ensolarado mas com vento frio. Próximos à cratera do vulcão o caminho tornou-se cada vez mais íngreme e o terreno mais difícil de ser percorrido. Sentimos a altitude de aproximadamente 4600m. Cansaço, tonturas, confusão mental, dificuldades em falar, respiração difícil. Os caiçaras, que das praias de Santos não estavam aclimatados o suficiente. Vimos parte da cratera, mas por segurança voltamos e não chegamos ao ponto mais alto, porém, certos de termos feito o nosso melhor.
Paylón del Diablo
Percebemos como podem ser difíceis algumas situações em lugares “extremos”.
Fomos então ao Sul do país para descansar em Baños de Água Santa, garantindo um dia de banhos em águas termais, saunas e massagens. A Capital do Turismo de Aventura no país nos possibilitou atividades como a tirolesa em posição “superman” e visita a cachoeira “Pailón del Diablo”, na Ruta de las Cascadas.

Rumi - uma arara de estimação
Queríamos ainda uma experiência junto a alguma comunidade indígena na Amazônia Equatoriana. Assim, contratamos uma excursão guiada de introdução à selva. Foi um dia maravilhoso! Dança, artesanatos, zarabatanas, conhecemos a bela cachoeira Hola Vida, com dupla queda d´água e de temperatura amena, experimentamos delícias da culinária local e a tarde fizemos um percurso espetacular descendo o rio Puyo, na Reserva Puyo Punga, embarcados em canoas de madeira de um tronco.
Nos despedimos do grupo e ficamos na floresta onde dormimos duas noites na comunidade Cotococha. Fomos muito bem recebidos e convivemos com integrantes das etnias Quichua e Shuar, além de macacos, papagaios e uma arara que dormia em nossa cabana, a Rumi. Inesquecível!
Pintura facial
Recepção de turistas na tribo Cotococha
De volta a Baños pegamos um ônibus noturno para Cuenca. Lá começamos, como em Quito, fazendo um walking tour e nos deparamos com um centro histórico belíssimo e bem preservado. Um patrimônio mundial.
Centro histórico de Cuenca 
Nossa última aventura foi visitar o vulcão Cotopaxi (garganta da Lua). Mais um desafio físico. Contratamos um guia, que nos levou de Latacunga, onde nos hospedamos, até o Parque Nacional Cotopaxi. Fizemos uma parada em um centro de informações para visitantes e tomamos um chá de coca para aliviar os sintomas da altitude. Nosso experiente guia, que atua há mais de vinte anos no parque lamenta o derretimento do gelo próximo ao cume do vulcão e em decorrência do aquecimento global. Aos pés do vulcão, se revelou entre as nuvens possibilitando a nossa foto. Começamos a subida mais uma vez sofrendo com a altitude. O percurso era bem mais curto, porém alcançamos uma altitude superior chegando próximos aos 5 mil metros no Refúgio José Ribas. Começou a chover com fortes ventos e até nevou quando o guia disse que era inviável chegarmos às geleiras. Satisfeitos com a vista fantástica, tomarmos um chocolate quente. Aliás, o Equador é a terra do chocolate!
Tempestade de Neve no vulcão Cotopaxi
Nossa viagem de 10 dias ficou com gostinho de quero mais, pois ainda faltou conhecer a região costeira e Galápagos. Quem sabe em outra oportunidade!

 Diogo Dias Fernandes Lopes – turismólogo, guia de turismo e diretor da agência Parceiros do Turismo.
Catharina Apolinário – jornalista, fotógrafa e guia de turismo.



quarta-feira, 23 de março de 2016

Relato de Viagem Mendoza e Córdova – Argentina 2016

Relato de Viagem
Mendoza e Córdova – Argentina 2016


Dia 01 – Sábado - 05/03/2016 – São Paulo / Mendoza

Antes de sair do meu apartamento em São Paulo resolvi dar aquela última olhada para ver se estava esquecendo algo. Bati o olho no boné de cor bege que comprei na viagem de 2012 a Cuba, e não hesitei em escolhê-lo para usá-lo naquela nova viagem.

A viagem entre São Paulo e Mendoza dura cerca de 3 horas. E curiosamente o horário é o mesmo nos dois lugares. Ao nos aproximarmos do momento do pouso já se podia ver no sobrevoo as vinícolas mendocinas.

Terminado os trâmites de desembarque no pequeno aeroporto decidi ir de “remis” (tipo de táxi um pouco mais caro) até o hostel para o qual eu tinha feito uma reserva.

Como não encontrei casa de câmbio, acordei com o taxista o valor da corrida em US$ 10,00. No caminho conversei com o motorista buscando informações sobre a cidade. Ele me lembrou sobre a festa da Vendímia (festa de celebração à colheita da uva). A festa seria celebrada no período entre 4 e 8 de março e minha chegada ao dia 5 foi uma grande e maravilhosa coincidência. Troquei alguns dólares pelo valor de 13,50 pesos, pois sabia que não seria tão fácil encontrar casas de câmbio abertas em um sábado.

 Ao chegar ao hostel Alamo, uma bela casa localizada no centro, fui atendido pelo Max que me passou as informações importantes sobre o hostel e me apresentou o quarto de número 2, um dormitório cuadruple, ou seja, compartilhado com mais 4 pessoas. Valor de 180 pesos por dia, com café da manhã. Percebi que havia no hostel  vários estrangeiros de várias nacionalidades e a língua mais utilizada era o inglês.

Deixei meus pertences no quarto e logo resolvi partir para explorar a cidade. Eram mais ou menos 16h. Cheguei à Praça da Independência e vi dois ônibus turísticos do tipo “sightseeing”, aqueles que fazem um percurso pelos principais atrativos turísticos locais, onde você pode descer e aguardar a próxima parada. Em Mendoza aguardaria 1 hora.

Devido à festa da Vendímia os ônibus não estavam operando. O passeio ficaria para o dia seguinte.

Continuei minha caminhada de sábado observando a vida dos cidadãos locais. Vi que tinha umas crianças chutando ao gol em uma atividade promocional. Eram promotores da cidade de Carlos Paz, divulgando esse destino. Resolvi participar.

E ao conseguir chutar a bola e fazê-la passar pelas barreiras, marquei o gol e recebi como prêmio,  quatro alfajores de pêra e uma camiseta de criança.

Como a cidade fica próxima a Córdoba, cidade para a qual eu planejava viajar, quem sabe poderia conhecê-la. Por isso pedi umas dicas de atrativos.

Alonguei um pouco mais a caminhada e me chamou a atenção os pequenos canais que acompanham algumas ruas da cidade. Servem para irrigar as árvores da cidade.

Logicamente guardada as devidas proporções percebi semelhanças entre a cidade de Mendoza e a de Paris. Uma delas é a presença de uma árvore que tem as folhas de bordo, aquela que serviu de inspiração para a bandeira canadense.

Logo voltei para o hostel para descansar um pouco e explorar as opções noturnas da cidade.

Percebi que não conseguiria comprar ingressos para a primeira festa noturna da Vendímia quando seria eleita a rainha do ano.  Achei melhor não me arriscar em ir até o evento e tentar comprar ingressos com cambistas.

Optei pela dica de caminhar cerca de cinco quadras e chegar a rua Aristídes Villanueva.

A temperatura era perfeita. Caminhei calmamente e logo descobri uma cervejaria chamada Antares, fundada em Mar del Plata. Resolvi conhecer o local, já que estou estudando o mundo cervejeiro para desenvolver roteiros turísticos em São Paulo com essa temática.

Continuando o passeio by night tomei outra cerveja no Johnny B. Good e voltando ao início da rua conversava com garçons de um bar perguntando como era a receptividade das mendocinas com relação a conversas com estranhos. Um deles disse que não são abertas. O outro disse que ia me apresentar para um grupo. Fiquei um pouco envergonhado mais topei.

Muito simpáticos e receptivos foi um bom momento para conversar em espanhol.

Eram 5 moças e um rapaz. E a noite terminou quando o sol raiava.




Dia 02 – Domingo - 06/03/2016 – Mendoza

Então, por volta das 11h, com a luz do sol penetrando pelo fino tecido da cortina e com a cabeça pesando um pouco mais do que o normal, acordei lembrando rapidamente que estava em Mendoza. O adormecimento do corpo tinha que ser vencido pela vontade de aproveitar ao máximo cada momento. Carpe diem!

Lembrei das possibilidades de programas para aquele dia e como fazer para poder viabilizá-los.

Lembrei também que fora a noite que foi se estendendo, e rendeu uma boa diversão, o motivo de eu passar mais uma noite em Mendoza antes de cumprir com o objetivo de conhecer Córdoba era conhecer a festa da Vendímia. Afinal, não podia desperdiçar a possibilidade casual que me fez conhecer Mendoza justamente no final de semana do seu evento mais importante da cidade.

Lembrei ainda que tinham me dado uma ótima dica sobre onde eu poderia encontrar ingressos para a Vendímia. E, por último lembrei do ônibus “Sightesseing”, turístico, e calculei que com ele poderia  conhecer a cidade sem muito esforço.

Tomei banho, dispensei o café, troquei algumas palavras com os hóspedes do hostel e me informei com o Max-recepcionista, qual seria um caminho para a oficina de Turismo da cidade.
Caminhei até Av. San Martin, o “libertador Argentino” e pedi orientações para chegar ao local procurado. Ficava em um belo prédio. Logo, fui recebido por um solícito guardinha que me vendeu o ingresso por 60 pesos. E, dobrando a esquina encontrei a bilheteria para o ônibus turístico. O Tour começava ali mesmo. Tiro na mosca. Não poderia ser mais certeiro!

Com os ingressos na mão e com o apetite aberto resolvi aproveitar os 50 minutos para a chegada do próximo ônibus double deck rosa. Atravessei a rua e logo estava na Peatonal Sarmiento, rua de fluxo de pedestres.

Bati o olho em uma fonte de cor roxa. É claro que devia simbolizar o vinho mendocino!

Mas não seria aquele o momento de tomar vinho pela primeira vez...

Lembrei que ao parar com o grupo de meninas (melhor lembrar assim, já que só tinha um rapaz) aproveitei com vontade os “doble drinks”, que de par em par formaram meia dúzias de copos vazios.

Café! Era a bebida da vez. Vi uma cafeteria da marca Havanna, argentina por sinal, e achei que seria ali que tomaria um bom café e conseguiria me conectar virtualmente. Pedi o acompanhamento de uma tostada de jamón y queso e a senha da internet.

Enquanto postava as fotos, lembrava os detalhes dos momentos do dia e tentava lembrar os acontecimentos da noite.  E depois forrar o meu estômago com o café-almoço pedido, a complementação seria um alfajor que daria a energia necessária para poder realizar o passeio turístico de forma mais atenta.

Acabei tendo que me acomodar sentado em uma poltrona do piso de baixo. Em cima estava lotado.

Esforcei meus neurônios para interpretar o roteiro no mapa do passeio, que consulto neste momento, ainda bem conservado, e entender quais seriam os locais mais interessantes para eu descer. Fiquei interessado pelo Jardim Zoológico e o Estádio Malvinas Argentinas.

Para auxiliar minha decisão pedi a opinião da guia/apresentadora (não posso afirmar que era uma guia de turismo) que discursava em alguns momentos, passando informações complementares às da gravação automática. Ela me recomendou parar na Fuente de los Continentes, dentro do Parque General San Martin. Vale pesquisar a história desse personagem histórico!

Achei que valia a pena acatar recomendação. Desci em frente à fonte, memorizei o horário para saber a que horas passaria o próximo busão.

Apreciei um pouco a fonte ao sol do meio dia e meia.  Resolvi caminhar.

Depois de menos de 50 metros mudei de opinião. Resolvi pedalar.

Aluguei por 30 minutos uma bicicleta para explorar com menor esforço e com maior abrangência tudo o que o parque poderia me mostrar. Estava ainda de jaqueta esportiva e à medida que ia pedalando, mesmo que devagar, ia esquentando o corpo.
Passei por estátuas, roseirais, um belo lago e pelo antigo Club Mendoza de Regatas. Passei por pessoas se dedicando as atividades dominicais. Cachorros, balões, corredores, árvores, plantas, crianças, casais foram objeto para a minha câmera. Em alguns momentos fotografava em movimento, testando minhas habilidades motoras e minha interação com a câmera. Tarefa difícil quando não se está com todos os reflexos apurados.

O sol acompanhava meu percurso, calculado de forma a conseguir chegar antes de meia hora de passeio. 30 pesos se não me engano.

Teria cerca de 25 minutos para esperar e bati um olho em um banco verde que me convidava para sentar sem fazer nada além de beber água e descansar. E assim fiquei até avistar o veículo que parecia a pantera cor de rosa chegar.

Aproximamo-nos do zoológico e achei que não seria boa ideia parar. Lembrei meus tempos de criança e da minha experiência mesmo como adulto ao visitar zoológicos e associar à certeza de ter que andar por quilômetros para conhecer o parque.

A apresentadora informou que faríamos o retorno abreviando o percurso já que a via usada normalmente estava bloqueada para a festa da Vendímia. Passamos pelo estádio e me mantive no ônibus. Olhei novamente no mapa e percebi que o ônibus passaria pela na Praza Independencia, parada de número 12 das 17 previstas. Desci perto do hostel.  Era por volta das 14h e o cansaço rapidamente tomava conta do corpo. Iria para o hostel fazer uma siesta e quem sabe concluiria o tour no final da tarde.

Fui diretamente para o quarto e tentei dormir. O corpo estava cansado, porém a mente esperta, agitada. Por duas vezes peguei no sono, mas acordei com alguém entrando no quarto.
Tomei um bom banho para ativar a circulação e me vesti de maneira a estar pronto para o espetáculo noturno. Sabia que faria friozinho. Calça era necessário. Camisa de estampa xadrez completaria o figurino.

Às 16:30 subi ao double deck para fazer o último trecho do roteiro, no qual Parque Central e Acuario Municipal eram os destaques. Parei no ponto final/partida para procurar por um restaurante para jantar.

Em um estabelecimento na Peatonal Sarmiento percebi algumas pessoas assistindo a um jogo de futebol. Resolvi que seria ali que comeria algo. O jogo era River e Boca. Pedi uma Andes, cerveja local, para me sentir menos deslocado. E vi que tinham torcedores com a camisa dos dois times. 

Fazendo uma análise, nesta viagem vi mais pessoas com a camisa do River do que a do Boca, que dizem ser o time mais popular do país.

Queria pollo na brasa, mas tive que me contentar com uma milanesa napolitana com purê. Mesmo não estando aquela delícia me esforcei para não deixar muito purê sobrando.

Saí com a barriga pesada e parei numa banca para me informar sobre qual ônibus teria que tomar para o evento. Soube que teria que andar mais uns 7 quarteirões. Isso poderia ajudar meu processo digestivo.

Descobri onde era o ponto ao ver uma fila de ônibus e uma fila de pessoas. O transporte era gratuito. 

Comprei um chiclete e embarquei. Ao subir os degraus e ver a decoração em torno ao motorista cheio de bichinhos pendurados soltei um sorriso espontâneo.  

Em 15 minutos chegamos ao parque e a uma rua não asfaltada que nos deixava perto ao anfiteatro grego Frank Romero Day. Tínhamos que atravessar um viaduto de em formato curvo, o que provocava mais a imaginação. Holofotes que apontavam luzes coloridas para o céu davam junto com o de uma cantora de ópera ao fundo, todo o clima de “grande noite”.Pitoresco local! Meus assentos estavam no espaço Chardonnay. Cada setor tinha o nome de uma uva. A entrada era no alto, ou seja, tínhamos toda a vista anfiteatro, incrustrado no meio dos morros (cerros).

Uma cantora lírica local chamada Verónica Cangemi cantava músicas famosas como Ave María e O Sole Mio e comentava sobre suas memórias sobre festa da Vendímia desde quando frequentava em tempos de criança. 

Um grande momento foi a interpretação de Bolero de Ravel pela Orquestra Filarmônica de Mendoza. Assim como, Libertango, de Astor Piazzola.

Estava sentado como 95% dos espectadores: no concreto. Tipo “geral” do Maracanã antes da reforma para a Copa. Sem encosto.  Não havia conforto. Mesmo assim aguardei um tanto quanto impacientemente o início do espetáculo.

Não tinha muita noção do que iria ver. Mas fui aos poucos me surpreendendo com a qualidade e a tecnologia da apresentação. Centenas de atores-dançarinos iam interpretando a narração da história local em torno da cultura da plantação da uva e do processo de produção desta bebida elegante, saudável e respeitada que é o vinho.

Ricas projeções davam toda a cor e a força estética para a apresentação. Simplesmente empolgante e envolvente.

Grande parte do público era de argentinos e participavam da festa agitando bandeirolas argentinas, marcando os ritmos com palmas e cantando as canções famosas. A dança gaúcha argentina mostrava a tradição e a masculinidade do homem campesino.

A rainha da noite anterior foi reapresentada. O néctar dos Deuses. Não era a maça proibida! Mas foi considerada a melhor das uvas!
Aquela capaz de prover o melhor vinho, com o mais belo tom, o mais equilibrado bouquet e o mais envolvente gosto. Um toque equilibrado que fez emitir aplausos da plateia e embriaguez no Deus romano Baco. Ou melhor, como estamos em um anfiteatro grego, A Rainha, acabou deixando o Deus Dionísio em estado de embriaguez, o que para ele não era novidade.
Que festa!

E eu, apreciava tudo aquilo com uma garrafinha de água na mão.

Com exceção do carnaval no Rio de Janeiro não lembro em ter visto um espetáculo de igual magnitude. Fui pra casa, cansado, mas com a certeza que valeu ter esperado por aquela noite.
Voltei de ônibus para o mesmo ponto de partida. Caminhei até o hostel e coloquei o despertador para acordar cedo.


Dia 03 – Segunda-feira - 06/03/2016 – Mendoza / Córdova



Tomei o café da manhã servido pelo hostel e paguei  o valor de uma diária na recepção para reservar um quarto privativo para minha prima Rafaela e seu marido, Luis. Eles chegariam de Buenos Aires no dia 08. Luis foi participar de uma competição de triátlon no domingo e eles aproveitarem alguns dias para conhecer a capital argentina.

Mas era a minha hora de partir para Córdova. Tomei um táxi para a rodoviária de onde havia algumas empresas que faziam a rota com preços muito similares. Fui surpreendido ao perguntar sobre a previsão de duração da viagem. Seriam 12 horas. Mas não haveria escolha.

Comprei a passagem com a empresa Cata e um vinho para ser degustado durante a viagem. Afinal, não havia bebido a bebida pela qual Mendoza é tão famosa.

O ônibus semi-cama era confortável. Em viagens como essa a paciência é a alma do negócio. 

Tranquilidade para dividir o tempo entre a contemplação das paisagens, pequenas sonecas, filmes que eram apresentados no ônibus e goles de vinho direto da garrafa.

Por boa parte do percurso os Andes estavam à esquerda. A vegetação árida de um clima semi- desértico apresentava belas paisagens.O verde predomina nesta época do ano.

A estrada quase sempre era reta e poucas vezes o caminho passava por morros. Mendoza tem uma altitude de 746 metros. Córdova de 352 metros. Pouca variação. Passamos por alguns vilarejos e pela Villa Carlos Paz que me chamou a atenção pela beleza do lago San Roque.

Ao chegar a rodoviária 30 minutos antes do horário previsto, tomei um táxi para o Happy Hostel , que minha amiga cordovesa Luciana tinha me indicado. Ao avisá-la pelo aplicativo Whats App que já tinha chegado ela me disse que estava me esperando na rodoviária.

O simpático recepcionista alemão arrumou um local seguro para eu deixar minha câmera fotográfica já que no meu quarto não havia um locker.

Aproveitando o momento em estava em Córdova (estranho escrever assim, pois sempre falei Córdoba) a primeira bebida da noite não poderia deixar de ser um fernet coca. Chamava este drink de fernet cola, mas fui corrigido por minha amiga Luciana, já que a bebida, de origem italiana, é sempre misturada com coca cola.

Luciana chegou e me recebeu com muito carinho. Logo começamos a conversar sobre nossas histórias de quando éramos tripulantes de navios de cruzeiros. Tenho relatos escritos sobre esta maravilhosa experiência.

Ela lembrou do dia em que fomos recebidos em Santos pelo meu amigo Tiago Pansani que nos levou até minha casa em Santos onde almoçamos com meus pais e eu voltei dirigindo em alta velocidade para não chegarmos atrasados. Falamos sobre nosso amigo em comum Gabriel Parreira, seu companheiro de trabalho e meu cabin mate e várias outros momentos inesquecíveis.

Começou a chover forte e hesitamos em sair do hostel. Ela estava com muita fome. Então não pensei duas vezes ao ver um guarda-sol apoiado na parede. Saímos no meio do temporal quando percebi pessoas rindo ao nos ver.  Acho que a naturalidade com que tive aquela atitude mostra minha praticidade e criatividade em resolver os eventuais problemas da vida.

O que importa é que protegidos da chuva ainda pudemos olhar e escolher entre dois restaurantes. 

Optamos por um deles e  por pedir meia pizza com uma Quilmes Stout, cerveja apropriada para aquela noite de temperatura amena e muita água caído do céu. Conseguíamos ver a água passando em velocidade acelerada pela rua.

Tivemos mais bons momentos de memórias até que chegou a hora de nos despedirmos.  Luciana me deu boas dicas do que poderia fazer no dia seguinte.


Como é bom poder viajar pelo mundo e rever bons amigos!!!


Dia 04 – Terça-feira - 07/03/2016 – Córdova

Obviamente informação é tudo no que diz respeito a programar um dia de viagem. Uns estabelecem o dia-a-dia com antecedência. Eu prefiro ter uma pequena noção dos atrativos turísticos à disposição. 

Porém, sabendo que a “autenticidade” da viagem está muito além de tirar fotos nos lugares mais conhecidos.

Assim, sabendo que teria pouco tempo em Córdova, decidi que seria interessante conhecer dois locais: o museu do Chê Guevara e uma vila de estilo inglês chamado Vila Belgrano.

Precisava em primeiro lugar fazer um câmbio e descobri que para isso era só seguir a própria rua do hostel, a Independência, até o centro. Logo percebi por que a esta é a segunda cidade mais populosa da Argentina, com cerva de 1,3 milhão de habitantes. Ainda assim, pequena, se compararmos com as maiores cidades brasileiras.

Dei uma parada na Nativo Viajes, agência indicada pelos recepcionistas do Happy hostel para ver se haveria algum passeio que me interessasse. Porém, nenhum para ver o Chê naquele dia. O atendente me apontou no mapa o terminal de minibus de onde partiam coletivos para Alta Gracia.

Continuei a caminhar até chegar a Catedral e ao Cabildo. Lugares que só fotografei por fora. Tinha que manter o foco.

Achei uma casa de câmbio onde pagavam 15,25 pesos por dólar. Foi o melhor câmbio da viagem! Troquei 300 doletas.

Dirigi-me então até o terminal e com facilidade encontrei meu transporte. A medida que ia saindo da cidade percebi alguma semelhanças com os subúrbios de Havana. O que me deixava mais animado em ir para o meu destino.

Percebendo que já estava em Alta Gracia pedi para que o conductor me avisasse o ponto onde deveria parar. Próximo dali me chamou a atenção de uma estátua de um índio com arco e flecha em posição de ataque. Era o símbolo do meu signo. Parei para tirar foto e observar as características dos fortes traços no nativo.

não havia uma boa sinalização para chegar ao museu tive que pedir um direcionamento. Muito residencial aquele local. Calmamente fui caminhando pelo terreno acidentado observando as belas casas. Ótima temperatura! Um gatinho miou para mim e atravessou a rua. 

Ofereci uma bolacha salgada, mas ele não aceitou. Brinquei um pouco com o felino e comecei a caminhar. Ele me acompanhou por alguns metros, mas logo percebi seu olhar de receio em sair de sua área.

Não faz mal, gatinho, você já fez seu papel ao me dar as boas-vindas! Pensei...

Depois de alguns quarteirões avistei a casa do Chê.

Com meu boné cubano entrei na intimidade daquele que foi considerado um dos maiores heróis da América Latina. Ernesto Guevara de la Sierna, o Ernestito nasceu em Rosário, porém sua família mudou-se para Misiones entre outros locais.

Porém Enestito tinha asma crônica e “um amigo da família recomendou que fossem para Alta Gracia, uma estação de águas no sopé das Sierras Chicas, perto de Córdoba. O lugarejo tinha um ótimo clima seco, ideal para doentes das vias respiratórias.“ (http://professor-josimar.blogspot.com.br/2011/02/infancia-de-che-guevara.html)

Estamos falando dos anos 30. A família de Chê tinha boas condições financeiras.

Assisti a um vídeo que mostrava relatos de pessoas que conviveram com a família e com o menino. 

Contavam sobre seus tipos de brincadeiras preferidas, sua facilidade e interesse nos estudos e sua personalidade meiga e caridosa.

Seus ideais revolucionários logo aflorariam ao perceber as injustiças que ocorriam na América.

Independentemente se ser argentino comprou a briga dos cubanos que eram assolados por uma ditadura de Fulgêncio Batista. Como já escrevi em relato anterior da minha viagem a Cuba, a ilha era o quintal de diversões dos americanos. Analfabetismo e caos social assolavam o país.

Independentemente de ter convicções esquerdistas lutava contra as injustiças no mundo. E essa, em minha opinião, é a sua maior inspiração. 

Morreu defendendo seus ideais. Por isso se tornou um mártir!
“... sean siempre capaces de sentir en lo más hondo, cualquier injusticia cometida contra cualquiera em cualquier parte del mundo. Es la cualidad más linda de un revolucionario!  Carta aos seus filhos. Outubro de 1966.

Saindo do museu vi uma loja de souvenir onde resolvi comprar umas coisinhas. Principalmente uma camisa para meu pai. Então fui almoçar. Comi um belo filé de frango e quando acessava a internet vi o convite da Lucia, amiga dos meus pais há anos, para que eu fosse jantar na sua casa. Ela tinha visto minhas postagens do dia seguinte e descobriu que eu realmente eu fui a Córdova. Topei o convite! 

Elas disse que sua filha Camila passaria para me buscar no hostel.
Caminhando de maneira agradável resolvi me dirigir ao complexo jesuítico que havia visto quando chegava a Alta Gracia.

Na verdade aquele era o Museo Nacional Estancia Jesuítica de Alta Gracia, Patrimônio da Humanidade. No complexo construído no século XVII havia a residência dos jesuítas, a igreja e outras atividades produtivas nas quais eram utilizados escravos negros.

Eles criarão o Colégio Máximo que veio a se tornar a primeira universidade argentina.

No museu estão expostos objetos de grande importância que evocam a vida cotidiana e a as formas de trabalho da antiga estância, além de várias artes sacras. Era um lugar gostoso de visitar.

Logo ao sair vi uma lojinha de souvenirs onde resolvi comprar um imã de geladeira para minha extensa coleção.

Caminhei mais um pouco explorando meu “pau de selfie” e fui seguindo um rio que corta a cidade. 

Logo me informei sobre onde deveria tomar o ônibus para Córdova.

Ao chegar ainda dei uma boa caminhada no parque Sarmiento antes de ir para o hostel e ficar conversando com um pessoal que estava de bobeira por lá... Em Córdova e no hostel há muitos estudantes de diversas partes da Argentina e do Mundo.

Tomei um banho e aguardei Camila.

No entanto quase uma hora depois do horário previsto ela ainda não tinha chegado. Mandei uma mensagem para a Lucia perguntando se a sua filha tinha se esquecido. A fome já tava batendo.

Reparei que em frente ao hostel havia uma moça olhando no celular com cara de perdida. Perguntei se ela era Camila e assim encontrei com ela.

Fomos de carro até a casa de sua mãe que aguardava com sua outra irmã, Fernanda. Foi uma 
satisfação ver a Lucia e cumprir com meu plano de viajar a Córdova. Fui muito bem recebido e convidado a experimentar um drinque aperitivo com um Cynar, suco de laranja e água com gás. 

Diferente e gostoso!

Logo as empanadas feitas por Camila ficaram prontas e iniciamos o jantar com ensalada, papas e delicioso e macio matambre de cerdo. Acompanhado obviamente de vinho. Uma delícia!

As meninas vibraram com a comida dizendo que eu deveria aparecer mais vezes por lá, já que não estavam acostumadas com jantares especiais como aquele. Compreensível, já que elas têm uma vida agitada entre trabalho e estudos.

A conversa foi muito interessante e ao mesmo tempo divertida. Falamos sobre política e as semelhanças e diferenças entre Brasil e Argentina, neste momento de mudanças significativas em ambos os países. Sobre acontecimentos históricos na Argentina e sobre temas polêmicos como a legalização da maconha.

Sentia-me como em uma série de comédia ao vê-las em suas discussões familiares nas ações corriqueiras, cotidianas. Enfim, me senti super bem acolhido e querido.

Como eu comentei que ainda estava disposto a conhecer a noite da cidade, Camila disse que poderia me acompanhar. Fernanda nos convidou para darmos uma passadinha para conhecer sua casa e assim me despedi de Lucia.

A casa onde mora Fernanda é bem ampla e com decoração alternativa com móveis antigos. Uma casa cheia de personalidade onde ficamos por mais um tempo conversando.

Fomos então para o lugar que me haviam recomendado: Maria Maria. Camila disse que não era o tipo de lugar que gostava de frequentar. Comentou sobre o bar Pétalos de Sol, que ficava bem próximo. 

Disse que poderíamos passar por lá. Era um barzinho underground onde tomamos uma cerveja da Pale Ale da marca Patagonia.

Voltamos à frente do Maria Maria e resolvemos entrar. Estava lotado. Mal conseguíamos conversar, mas foi bom ter voltado a ouvir as músicas que tocam nos boliches argentinos.

Terminamos a noite nos despedindo na Cañada, um canal que é uma grande referência da cidade.


Dia 05 – Quarta-feira - 08/03/2016 – Córdova

O destino escolhido para este dia era a Villa General Belgrano. Ouvi falar que era um local turístico que valia a pena conhecer.

Após o café da manhã arrumei minha bagagem e acertei minhas contas no Happy Hostel. Só voltaria no começo da noite para buscar meus pertences antes de viajar.

Cheguei a cogitar de voltar de avião, mas achei mais simples tomar um ônibus noturno.

Então caminhei até a rodoviária para descobrir que Sierras de Calamuchita era a companhia transportadora. Tive sorte em chegar bem próximo ao horário de saída.

A viagem foi agradával. Chegamos à rodoviária onde havia um guichê de informações turísticas. 

Peguei um mapa e achei interessante poder visitar uma fábrica de cervejas. Então caminhei até a rua principal e me surpreendi em ver pouquíssimas pessoas na rua. A medida que via que muitas lojas estavam fechadas desconfiei que não estavam abertos na baixa estação.

No entanto descobri que por ali adotavam a siesta, ou seja, fechavam em um determinado horário e abriam por volta das 15 horas para descansarem e retomarem suas atividades.

Como já estava com fome resolvi parar para almoçar. E como estava em uma vila de tradição alemã, por quê não experimentar um prato típico? Chucrute com linguiça!

Após a refeição continuei a caminhada e parei para um café. O local lembrava Campos do Jordão devido às construções feitas com muita madeira, que lembram as construções da Baviera, às lojas de chocolate, além de toda a atmosfera serrana.

A cidade que tem menos de 10 mil habitantes está localizada nas serras de Calamuchita. A vila organiza a famosa festa Oktoberfest. E é o terceiro maior evento. Está atrás apenas de Munique e Blumenau (Brasil).

Os doces estavam presentes em várias lojas assim como as cervejarias artesanais. Queria subir ao principal mirante da cidade, mas estava fechado para manutenção. Optei por dar uma caminhada em direção aos arroyos (rios). Fiz um agradável passeio passando por coníferas, avistando pássaros e contemplando os momentos de lazer das pessoas que ali estavam.

Voltei a rua principal onde parei em um restaurante para tomar vagarosamente uma cerveja frutada como digestivo. Percebi que a circulação de pessoas aumentava e logo chegaram grupos de turistas.

Por voltas das 16:30 voltei para a rodoviária para retornar a Córdova. Mais familiarizado com a cidade pedi para descer do ônibus em local mais próximo ao hostel e assim tomei um banho, peguei minha bagagem e um táxi para a rodoviária onde  jantei uma massa que estava bem ruim.

Comprei um imã de geladeira e logo estava bem acomodado no ônibus que faria o percurso até Mendoza em cerca de 10 horas.



Dia 06 – Quinta-feira - 09/03/2016 – Mendoza

Ao chegar à rodoviária de Mendoza peguei um táxi para o hostel Alamo. Logo que cheguei encontrei minha prima Rafaela e seu marido, Luis. Planejamos esse encontro na Argentina em uma conversa na viagem que fiz para Curitiba para passar com eles a comemoração de réveillon. Felizmente deu tudo certo e a satisfação em vê-los foi imensa.

Comentei que havia ouvido falar de um trem que iria de Mendoza para uma região vinícola próxima. 

Confirmei as informações com o recepcionista do hostel e logo saímos para comprar os bilhetes do trem.

A estação ficava próxima e logo embarcamos no trem vermelho da linha verde, com destino a Maipú, cidade da grande Mendoza.

A temperatura era agradável e a viagem não levou uma hora. Logo, desembarcamos em Maipú e vimos um guichê de informações turísticas. O atendente no informou pacientemente as opções de lazer da cidade e como poderíamos chegar a esses lugares. Gostamos da opção de alugar bicicletas. 

Caminhamos umas três quadras e encontramos a Vista Bike.

Saímos como três crianças a explorar um parque de diversões. Só que uma das grandes brincadeiras era algo que as crianças não podem fazer: beber vinhos. Então a primeira parada foi uma das vinícolas das Bodegas Lopéz, fundada em 1898 por imigrantes espanhóis.

Tivemos a sorte de chegar justamente quando o tour de apresentação estava iniciando. Uma charmosa monitora nos explicou sobre o processo da produção de vinho e o posicionamento desta bodega que tem foco no mercado argentino.

Prosseguimos nosso passeio ao avistar uma construção antiga que nos despertou curiosidade. Também faziam uma visita monitorada para mostrarem a maior barriga de vinho da região. Aquela bodega tinha sido desativada na época da ditadura militar. Optamos por apenas comprar uma garrafa de vinho e ficar conversando naquele ambiente aconchegante.

Era hora de almoçar então paramos em restaurante. Optei por comer coelho ensopado. Luis pediu carneiro ensopado enquanto Rafaela ficou no bife argentino. Queijo com doce de leite foi a sobremesa compartilhada.

Tínhamos que prosseguir! Retomamos a pedalada. Ficamos sabendo sobre uma vinícola orgânica e fomos conferir. Saímos da avenida principal e seguimos por uma via de terra com brita. Rafaela teve o pneu da sua bicicleta furado. Mas continuamos mesmo assim.

Chegamos a vinícola da família Cecchin e fizemos um breve tour. Provamos uvas tiradas diretamente do pé. No final compramos um vinho para tomar em outra ocasião.

Tínhamos um último objetivo: visitar uma das fábricas de azeite. Com um pouco de sacrifício Luis conduziu a bicicleta que tinha o pneu furado para chegarmos à fábrica XXXX. Mais uma vez demos sorte, pois havia um grupo de pessoas que acabara de iniciar uma visita monitorada na qual nos inserimos.

Bem interessante!
Mas já era hora de retornarmos para entregarmos as bicicletas e retornarmos a Mendoza novamente em trem.

Chegamos e demos uma descansada. Não consegui dormir como estava querendo. Fui para a sala de estar do hostel onde comecei a conversar com um senhor americano, o David. Também conheci o Abel, alpinista africano que veio para Argentina especialmente para subir ao Acongágua, o maior pico do hemisfério sul, com 6960 metros. O Luis e a Rafaela chegaram e ficamos conversando com nossos novos amigos. Eu preparei um fernet-coca que poucos costumam gostar ao provar pela primeira vez e abrimos o vinho comprado à tarde.

Após a conversa saímos para jantar. Levei-o aquela rua que havia ido na minha primeira noite em Medoza, a Aristídes Villanueva. Ficamos um pouco por alí e planejamos o passeio do dia seguinte. 

Alugaríamos um carro para explorar a região. Como estávamos cansados, optamos por voltar ao hostel e descansar para mais um dia cheio de atividades.



Dia 07 – Sexta-feira - 10/03/2016 – Mendoza

Ao encontrar o novo amigo americano David no café da manhã o convidei para passar o dia conosco. 

Ele tinha comprado um tour em vinícolas, porém quando soube que o nosso plano era alugar um carro e explorar a região ficou a animado. Enquanto ele tentava adiar seu passeio e enquanto a 

Rafaela arrumava as coisas eu e Luis fomos até a rua onde se concentram as locadoras.

Optamos por alugar um carro simples na Avis, pegamos uns mapas e umas dicas com o atendente e fomos buscar nossos acompanhantes. David conseguiu adiar o tour e por isso pode se juntar a nós.

Acordamos que a primeira parada seria na região de termas, localizadas em Luján de Cuyo. Saímos da cidade e pegamos a estrada com um dia lindo e ensolarado. Eu estava dirigindo e sentia a liberdade de mobilidade que um carro pode proporcionar e a boa energia dos companheiros de passeio.

As paisagens eram belíssimas! Percebemos que o rio Mendoza era uma grande referência no nosso passeio. Estávamos equipados com um GPS também alugado para facilitar nossa chegada aos locais desejados.

Percebemos que o rio era belíssimo e que era utilizado para passeios de rafting. Decidimos dar uma parada para contemplá-lo. Atravessamos para o lado esquerdo da estrada quando vimos avisos que mostravam a presença de um tipo de mirante. Entramos em uma área que havia uma corrente, como se fosse um tipo de portaria. De repente apareceu um divertido palhaço que nos recebeu com extremo humor e nos explicou que aquela era uma área privada e que liberaria nossa entrada mediante o pagamento de alguns pesos.

Não nos incomodamos em pagar e ele então acionou uma engenhoca que fez com que a corrente caísse liberando a passagem. O palhacinho jogou um monte de balas dentro do carro. Achamos aquilo tudo muito criativo.

Estacionamos o carro e caminhamos rio acima para vislumbrar a beleza paisagística e com uma água com um maravilhoso tom de verde claro. O sol era ameno. Tiramos boas fotos e ficamos conversando por alguns minutos antes de prosseguirmos nosso passeio.

Estávamos nos movendo em direção aos Andes Argentinos e logo a estrada ficou mais sinuosa. Passamos pelo meio de altas formações rochosas até chegarmos ao hotel Termas Cacheuta, conforme o gps nos indicava. Era um lugar muito bem cuidado. Ao perguntarmos sobre o valor do day use percebemos que aquele era um spa sofisticado. Não estávamos dispostos a pagar tanto e também nem poderíamos já que não havia mais disponibilidade para aquele dia.

Fomos informados que se prosseguíssemos pela estrada encontraríamos um local mais popular. Então voltamos ao carro e chegamos à entrada das Termas de Cacheuta!

Estacionamos o carro e fomos atravessar uma ponte suspensa com o objetivo de contemplar o local. 

Parecia um cenário de filme de faroeste americano. Então nos dirigimos à entrada do parque.

Logo estávamos relaxando nas piscinas de água quente. Umas mais outras menos quentes. Ao gosto do cliente.

O parque é grande e possui uma área coberta e outra maior e descoberta. O sol estava forte e ficamos por ali conversando até que ao ver um anúncio de um dos bares do parque sugeri que poderíamos tomar cerveja artesanal.

Não queríamos ficar o dia todo no parque, pois ainda havia muito a ser explorado. Tomamos uma cerveja de coloração avermelhada e voltamos à estrada. Luis, meu copiloto, deu uma consultada no nosso mapa. Deixamos a região das termas com destino a Lujan de Cuyo, que fica mais próximo à Mendoza.

No caminho estavam várias vinícolas famosas como a Norton. Tentamos realizar uma visita nesta e não fomos bem sucedidos, pois já havia passado o horário. Tivemos sucesso ao descobrirmos o Viñedos y Bodega Cabrini. Ali, fizemos um tour gratuito com degustação e fomos muito bem atendidos. A monitora nos explicou sobre a história do fundador Don Eliseo Cabrini, um imigrante italiano que elegeu o distrito de Perdriel para cultiva o seu primeiro vinhedo de malbec.

Compramos umas garrafinhas de vinho e decidimos voltar para Mendoza. Rafaela e Luis tinham comprado as passagens para retornarem a Buenos Aires de onde voltariam para Curitiba. Era uma pena! Comemos na rodoviária e tivemos que nos despedir.

Foi muito legal estar com meus primos!

Voltei com David para o hostel. Ele sugeriu fazermos um jantar. Por isso, fomos ao supermercado e compramos carne e alguns vegetais e legumes. Eu mesmo preparei o jantar fazendo um misturado interessante que rendeu vários elogios do David e do alpinista Abel.

Mesmo estando cansado sugeri ao David aproveitarmos para explorarmos a noite em Mendoza. 

Como nos indicaram havia uma grande concentração de bares na Rua San Martín Sur. E pra lá fomos!

Entramos no bar temático Maldito Perro. Um bar de rock. Gostamos bastante da decoração e do ambiente. Sugeri que David experimentasse uma caipirinha, que mesmo realizado em estilo argentino representava a cultura brasileira. Ele gostou bastante!

Tivemos mais alguns momentos de boa conversa antes de voltarmos ao hostel para descansarmos. Mesmo cansado ainda prorrogaria a curtição não fosse o respeito à idade do Mr. David sempre disposto.



Dia 08 – Sábado - 11/03/2016 – Mendoza

Este foi meu último dia de viagem. Acordei cedo para entregar o carro na locadora. David foi comigo. Eu dedicaria a manhã para fazer as últimas compras. E depois de passarmos pelo cassino só para dar uma olhada paramos em uma loja com artigos artesanais. Comprei um jogo de mesa americano e um pano para cobrir o sofá. Este acabou ficando perfeito na sala da casa dos meus pais em Santos.

Também passamos no supermercado onde comprei uma garrafinha de fernet na sua nova versão “menta”.

Logo, paramos para almoçar. Estava feliz, certo de ter tido uma viagem bem agradável, com experiências bem variadas e com os objetivos que foram traçados cumpridos.

Por agradecimento e satisfação pela boa companhia de David paguei o almoço. Ele ainda retornou comigo ao hostel para buscar minha bagagem e encontrar um táxi que me levaria ao aeroporto.

Assim, nos despedimos com a esperança de que um dia poderemos planejar uma nova viagem. Ele viaja muito! E ainda não conhece o Brasil.

Ainda deu tempo de comprar um doce de leite e uma última garrafa de vinho para levar ao Brasil.


Afinal, “se a Mendoza vino y no bebes vino... a que mierda vino!?”